Não obstante alguns problemas constatados na prestação de contas de algumas Organizações Não Governamentais (ONGs), a desconfiança não pode agora recair sobre todas, sob pena de se cometerem injustiças. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece o papel relevante prestado pelo chamado terceiro setor e defende que as governanças tenham com ele acordos institucionais que possam contribuir para a inclusão social e o exercício da cidadania.
O tema da união para uma atuação conjunta fez parte da pauta do 1 Encontro das Nações Unidas com Organizações Não Governamentais (ONGs) Corporativas. O objetivo é fazer com que haja eficiência para multiplicar atividades humanitárias, tão necessárias para atender as comunidades carentes e desprovidas de proteção em serviços básicos.
Para Sheila Pimentell, presidente do Instituto Humanitare, vinculado à ONU, as ONGs e as instituições corporativas são multiplicadoras de ações benéficas para as populações de baixa renda e, por isso, devem receber legitimidade para atuar na aplicação de medidas advindas das politicas públicas. Também elas podem ser fundamentais para implantar programas inseridos em planos macros de sustentabilidade. Posição semelhante é defendida por Maher Nasser, diretor da Divisão de Promoção da ONU, que vê nessas entidades civis também unidades de desenvolvimento. Salientou que os governos desvirtuam investimentos quando gastam altas somas em outros setores não diretamente ligados ao bem-estar do seu povo. Outros representantes de organizações da sociedade civil igualmente se posicionaram em prol de mais reconhecimento ao papel das ONGs no resgate da cidadania.
Os problemas sociais não se resolvem apenas com a intervenção governamental. Para as ONGs que trabalham com seriedade, sempre haverá espaço para que elas possam contribuir com o progresso dos países em desenvolvimento. O Brasil, entre eles, também poderá ser beneficiado por essas parcerias com os órgãos públicos, desde que tudo seja feito dentro da lei e com a fiscalização devida.
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